O que acontece dentro de mim enquanto o mundo acontece lá fora Existe um lugar onde passo boa parte do meu tempo, mesmo quando estou cercado de pessoas. Esse lugar não tem paredes nem portas. Ele existe dentro de mim. Por fora, posso estar trabalhando, conversando, tocando meu saxofone, tocando violão ou simplesmente em silêncio. Por dentro, porém, existe muita coisa acontecendo. Pensamentos se cruzam. Sons são percebidos. Situações são analisadas. Informações são organizadas. Algumas palavras continuam sendo processadas mesmo depois que uma conversa terminou. Talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de explicar sobre o autismo adulto: o silêncio externo nem sempre significa silêncio interno. O que acontece dentro de mim Meu jeito de perceber o mundo foi sendo construído ao longo da vida. Minha história, minha personalidade, minhas experiências e também o autismo fazem parte dessa construção. O hiperfoco, a sensibilidade aos estímulos, a literalidade e a necessidade de organização...
Durante muito tempo, procurei entender por que minhas emoções, mesmo sendo muito reais dentro de mim, nem sempre chegavam às outras pessoas da maneira como eu as sentia. Eu sinto. Penso. Reflito. Analiso. Mas, para mim, sentir uma emoção, reconhecer essa emoção e conseguir comunicá-la não são necessariamente a mesma coisa. Às vezes, preciso primeiro entender racionalmente o que aconteceu. Depois, aos poucos, começo a perceber o que aquilo provocou dentro de mim. Em algumas situações, preciso até da ajuda de outra pessoa para entender qual emoção estou sentindo. Hoje, depois de descobrir que sou autista, consigo olhar para algumas experiências da minha vida de uma maneira diferente. Não para transformar tudo o que vivi em consequência do autismo. Mas para compreender melhor algumas dificuldades que sempre fizeram parte da minha maneira de estar no mundo. Uma dessas formas de compreender minha experiência é imaginar que sou um astronauta. O astronauta e o traje Imagine um astronauta cami...