A música entrou em minha vida ainda na infância.
Meus pais perceberam desde muito cedo que eu era uma criança diferente. Eu costumava ficar mais isolado, tinha dificuldade para interagir com outras pessoas e preferia permanecer em meu próprio mundo. Por volta dos três anos de idade, familiares e conhecidos já comentavam sobre meu comportamento reservado. Alguns diziam que eu era muito tímido. Outros chegavam a perguntar se eu era surdo ou mudo, porque eu falava pouco e evitava interações sociais.
Foi nesse contexto que meus pais me apresentaram à música instrumental.
Além do interesse pela música, existia também a esperança de que ela pudesse me ajudar a participar mais do ambiente social da igreja e a me aproximar das outras pessoas.
Meu primeiro instrumento foi o violão.
Com o passar dos anos, experimentei outros instrumentos até encontrar aquele que se tornaria meu companheiro por grande parte da vida: o saxofone.
A música abriu portas que, muitas vezes, a conversa não conseguia abrir.
Por meio dela, participei de grupos, apresentações, ensaios e atividades que me colocaram em contato com outras pessoas. Em muitos momentos, quando eu tinha dificuldade para me expressar com palavras, a música tornou-se uma forma de comunicação.
Isso não significa que minhas dificuldades desapareceram.
O isolamento percebido na infância continuou presente em diferentes momentos da vida. A música não eliminou minha dificuldade de olhar diretamente nos olhos das pessoas, nem tornou mais fácil demonstrar afeto por meio de abraços ou outras formas de contato social.
Mas ela me ofereceu algo muito importante: uma maneira de me conectar com o mundo.
Hoje compreendo que a música foi uma das minhas primeiras ferramentas de inclusão social.
Muito antes de conhecer o autismo e de receber meu diagnóstico, ela já me ajudava a desenvolver habilidades cognitivas, emocionais e sociais de uma forma natural e prazerosa.
Atualmente, a musicoterapia é reconhecida como uma importante ferramenta para o neurodesenvolvimento de pessoas autistas. Diversos estudos demonstram que a música pode favorecer a comunicação, a atenção, a expressão emocional e a interação social.
Segundo o professor Gustavo Schulz Gattino, pessoas autistas tendem a apresentar uma capacidade preservada para perceber melodias simples e, em alguns casos, um desempenho superior ao de indivíduos neurotípicos na identificação de elementos melódicos específicos.
Ao olhar para minha própria história, essa observação faz muito sentido.
A música não mudou quem eu sou.
Mas me ajudou a compreender melhor a mim mesmo e a encontrar caminhos para me relacionar com uma sociedade que nem sempre foi fácil de entender.
Se hoje consigo expressar sentimentos, construir amizades, participar de grupos e enfrentar alguns desafios sociais com mais segurança, uma parte dessa trajetória certamente passa pelas notas musicais que me acompanham desde a infância.
Mais do que um hobby ou uma atividade artística, a música tornou-se uma linguagem.
E, em muitos momentos da minha vida, foi através dela que encontrei uma forma de dizer ao mundo aquilo que eu nem sempre conseguia expressar com palavras.
Meus pais perceberam desde muito cedo que eu era uma criança diferente. Eu costumava ficar mais isolado, tinha dificuldade para interagir com outras pessoas e preferia permanecer em meu próprio mundo. Por volta dos três anos de idade, familiares e conhecidos já comentavam sobre meu comportamento reservado. Alguns diziam que eu era muito tímido. Outros chegavam a perguntar se eu era surdo ou mudo, porque eu falava pouco e evitava interações sociais.
Foi nesse contexto que meus pais me apresentaram à música instrumental.
Além do interesse pela música, existia também a esperança de que ela pudesse me ajudar a participar mais do ambiente social da igreja e a me aproximar das outras pessoas.
Meu primeiro instrumento foi o violão.
Com o passar dos anos, experimentei outros instrumentos até encontrar aquele que se tornaria meu companheiro por grande parte da vida: o saxofone.
A música abriu portas que, muitas vezes, a conversa não conseguia abrir.
Por meio dela, participei de grupos, apresentações, ensaios e atividades que me colocaram em contato com outras pessoas. Em muitos momentos, quando eu tinha dificuldade para me expressar com palavras, a música tornou-se uma forma de comunicação.
Isso não significa que minhas dificuldades desapareceram.
O isolamento percebido na infância continuou presente em diferentes momentos da vida. A música não eliminou minha dificuldade de olhar diretamente nos olhos das pessoas, nem tornou mais fácil demonstrar afeto por meio de abraços ou outras formas de contato social.
Mas ela me ofereceu algo muito importante: uma maneira de me conectar com o mundo.
Hoje compreendo que a música foi uma das minhas primeiras ferramentas de inclusão social.
Muito antes de conhecer o autismo e de receber meu diagnóstico, ela já me ajudava a desenvolver habilidades cognitivas, emocionais e sociais de uma forma natural e prazerosa.
Atualmente, a musicoterapia é reconhecida como uma importante ferramenta para o neurodesenvolvimento de pessoas autistas. Diversos estudos demonstram que a música pode favorecer a comunicação, a atenção, a expressão emocional e a interação social.
Segundo o professor Gustavo Schulz Gattino, pessoas autistas tendem a apresentar uma capacidade preservada para perceber melodias simples e, em alguns casos, um desempenho superior ao de indivíduos neurotípicos na identificação de elementos melódicos específicos.
Ao olhar para minha própria história, essa observação faz muito sentido.
A música não mudou quem eu sou.
Mas me ajudou a compreender melhor a mim mesmo e a encontrar caminhos para me relacionar com uma sociedade que nem sempre foi fácil de entender.
Se hoje consigo expressar sentimentos, construir amizades, participar de grupos e enfrentar alguns desafios sociais com mais segurança, uma parte dessa trajetória certamente passa pelas notas musicais que me acompanham desde a infância.
Mais do que um hobby ou uma atividade artística, a música tornou-se uma linguagem.
E, em muitos momentos da minha vida, foi através dela que encontrei uma forma de dizer ao mundo aquilo que eu nem sempre conseguia expressar com palavras.
Musicalização

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