Wilma Anedino de Oliveira

Foi uma esposa dedicada, uma mãe carinhosa e uma serva de Deus.

Nasceu em Campos Novos Paulista no dia 17 de setembro de 1956.

Seu pai Benedito Anedino de Oliveira e sua mãe Batista Rogerio, tiveram 5 filhos: Odila, Naide, Wilson, Wilma e Vânda.

Trabalhavam todos na roça.

Wilma é a protagonista desta história.

Menina de cabelos pretos cacheados, olhos grandes e brilhantes, uma sonhadora.

Estudou até a Antiga 4° série, e abandonou para trabalhar na roça: colhia algodão, café, etc...

Quando chegou na adolescência, trabalhou como babysitter e empregada doméstica. Fez supletivo, e migrou para fábrica com cargo de costureira.

Seus pais eram evangélicos e ensinaram para ela e seus irmãos tudo sobre fé em Deus.
Ela foi crescendo e conquistando seu espaço.

Os irmãos eram muito apegados, e tinham algo diferente, se davam muito bem e desde pequenos gostavam de ajudar o próximo. Minha avó dizia: Deus, não permita que eu perca nenhum filho, pois essa dor não vou conseguir superar, se for para levar um filho meu, que leve até completar 3 meses, porque depois que bebês completam 3 meses começam interagir. Ela pensava que a dor seria menor.

Naide, a segunda mais velha de seus irmãos, cuidava dela e de sua irmã Vanda, enquanto os pais e seus outros irmãos iam trabalhar na roça. Naide era definida pelos seus irmãos como uma menina um pouco tímida, carinhosa e obediente, nunca deu trabalho, quando ela estava com 14 anos ficou doente, meus avós a levaram para Echaporã num médico particular, o médico disse que seu coração estava inchado, passou um medicamento e disse que em 8 dias ela iria ficar boa, mas em 8 dias ela já havia falecido. Minha tia muito nova, mas muito crente em Deus, morreu vendo Abrão, Isaque e Jacó. Minha mãe contava que ela tinha um semblante feliz quando morreu. Foi muito triste perder uma irmã tão nova, principalmente que ela era sua cuidadora.

Aos 19 anos, já morando na cidade de Assis SP, ela se casa com Francisco, um jovem que costumava brincar de bets na rua com uns amigos. Engravidou do meu irmão mais velho (Vilmar). Meu pai, naquela época, trabalhava em uma companhia de instalação de rede elétrica em torre de alta tensão, mas ele estava passando muito tempo fora de casa, resolveu pedir demissão para arrumar um emprego dentro da cidade, não queria mais viajar. Mas as portas se fecharam, não conseguindo trabalho mais.

Um tempo depois, meu tio Wilson, prestou concurso para Polícia Militar em Londrina e passou, quando abriu outro concurso, meu tio convidou meu pai a tentar essa vaga, resolveu então prestar este concurso público em Londrina. Para ele e meu tio, irmão da minha mãe, eles tentaram a sorte e conseguiram.

Foram tempos muito difíceis, pois a Polícia Militar pagava um salário muito baixo, se comparado ao salário que meu pai estava acostumado como armador na empresa de energia elétrica. E a dificuldade aumentou ainda mais, pois na época, meu pai ficou 6 meses sem salário. Quando meu pai foi para Londrina fazer o curso de Soldado, deixou minha mãe e meu irmão recém-nascido para trás. Na época, meus pais e meu irmão moravam no fundo da 3ª Igreja Presbiteriana Independente de Assis - SP, onde ela trabalhava de zeladora da igreja, mas seu salário era baixo. Com toda esta dificuldade de falta de pagamento, meu pai foi até um comerciante de Assis e pediu para ele vender a prazo para minha mãe, e que assim que recebesse o primeiro salário iria pagá-lo. Minha mãe acabou nem tendo muito gasto no mercado, pois a família da minha mãe ajudava muito. Assim que recebeu o primeiro salário, meu pai trouxe minha mãe e meu irmão para Londrina - Paraná.

O ministério de pastora de minha mãe começa nesta nova cidade.

Ao chegar em Londrina, começam a frequentar a 1° Igreja Presbiteriana Independente desta cidade.

Meu avô Benedito, pai da minha mãe, ficou muito doente, queria ver meu irmão mais velho, meus pais foram então para Assis pra visita-lo, minha mãe estava grávida de mim na época, não podia entrar criança no hospital, meu pai levou meu irmão escondidinho para meu avô vê-lo, meu avô faleceu em 1978, meu avô era músico, tocava saxofone. Foi a segunda perda importante da minha mãe.

Em 1979, o pastor Celsino, da 1ª Igreja Presbiteriana Renovada de Londrina,  procurou meu tio e meu pai pra assumir o ponto de pregação na região de minha casa, assim nasceu a 3ª Igreja Presbiteriana Renovada de Londrina.

Wilma, uma mulher de oração, de muita fé.

Foi através dessa fé que acontece o 1º milagre em minha vida, nasci dia 28/04/1979. Tinha esôfago apertado, os médicos queriam fazer cirurgia, como era muito arriscado minha mãe teve medo de autorizar. Chorava dia e noite pois passava gotas de leite apenas, sentia fome o tempo todo, o médico passou calmante para eu dormir. Com 9 meses de vida, tinha tamanho e peso de uma criança de 2 meses, Deus me curou.

Minha mãe levou novamente ao médico, e ele refaz os exames, e então perguntou, qual médico feito a cirurgia? minha mãe responde para o médico: foi o médico dos médicos, Jesus Cristo.
Mulher de fé, mulher caridosa, mulher amorosa.
Minha mãe apoiou meu pai em seu ministério pastoral, desde o curso de teologia, até a ordenação a pastor.

Mas antes de meu pai ser ordenado a pastor, Deus provou sua fé. Um dia meu pai ficou muito doente, como era militar, foi fazer tratamento em Curitiba, lá descobriu que tinha chagas e um bloqueio cardíaco. O médico desenganou, mandando-o para casa para morrer, pois a única solução era fazer uma cirurgia, mais não iriam investir nele pois ele era apenas um soldado. A doença do meu pai chegou num ponto que minha mãe fazia caldo e tratava na boca, um dia, minha mãe foi dar o caldo e ele não conseguiu comer. Minha mãe viu que era o fim.

Os familiares vieram de longe para se despedir. Nesse momento de turbulência, um casal de outra cidade, na época não tinham filhos, falou para minha mãe que assim que meu pai falecesse ela me levaria para morar com ela. Isso foi marcante para mim e para meus irmãos, trouxe insegurança, medo de nossa família se separar.

Foi aí que minha mãe fez um voto com Deus, se meu pai se levantasse do leito de morte, ela iria adotar uma criança. Depois que ela fez essa promessa, Deus ouviu. Meu pai estava muito mal na hora do almoço, na hora da janta se levantou e foi comer na cozinha. Minha mãe não havia contado para ninguém sobre a promessa. Um dia um pastor foi em casa e fez uma oração, Deus revelou para o pastor e disse assim a minha mãe: Deus ouviu sua oração e seu voto com Deus e agora era hora de cumprir. Meu pai quis saber sobre o que tratava a promessa, ela contou que prometeu a Deus que se ele levantasse, ela adotaria uma criança. Meu pai se levantou, mas não foi curado totalmente, e com esta doença, precisou se aposentar.  

Com os exames do meu pai em mão, o médico deu 6 meses de vida pra ele, mas com uma condição, se ele não pegasse mais que 3kg, se não corresse para pegar ônibus, era muitas as restrições. Mas Deus provou que a última palavra era Dele, ele viveu por mais de 3 décadas. Ele passou a trabalhar somente na obra de Deus. Eu tinha 6 anos quando nasceu minha irmã de coração, e assim eles cumpriram a promessa a Deus.

Minha avó Batista, mãe da minha mãe, era diabética, e teve uma hiperglicemia tão grave que teve que ir para uti, foi água para o pulmão, era grave o estado dela. Estávamos num culto em casa à noite, e uma mulher colocou a mão na cabeça da minha mãe, e disse assim: "nesse minuto estou recolhendo minha serva". Minha mãe começou a chorar, minhas tias estavam lá também e estavam chorando, eu não entendi o que estava acontecendo, era muito nova para compreender, mas naquele momento minha avó havia falecido. Foi difícil para minha mãe, me lembro dela sempre vermelha de chorar, elas eram muito apegadas, compartilhava da mesma fé.

Ela continuou servindo a Deus, mudamos para várias cidades, para acompanhar o ministério de nossos pais. Numa dessas missões, foi na cidade de Apucarana PR, eles aceitaram ir morar num sítio para cuidar de crianças e adolescentes infratores e de rua, a prefeitura desta cidade um projeto de retirar crianças e adolescentes das ruas e levar para o sítio. Era um trabalho muito lindo naquele lugar; crianças chegavam sujas, com muito piolhos, crianças mal criadas, falando palavrões, e em poucos dias já estavam totalmente entrosadas, pois meus pais tinham muito amor para dar. Eles se sentiam amados, acolhidos. Naquele lugar, minha mãe cozinhava para todos sozinha, me lembro do cheiro da comida, das panelas muito grandes, ficava tudo muito gostoso. Ficamos um tempo lá e voltamos para Londrina.

Um tempo depois, fomos pra Jaguapitã - PR, minha mãe havia sonhado que veio uma carruagem e entregou um menino nos seus braços e uma voz disse: cuida bem desse menino, ele vai ser como João Batista. Um dia uma mulher foi até nossa casa e contou uma história de uma família, uma moça negra estava grávida, ela já era mãe solteira e não tinha condições de criar mais uma criança, ela estava a procura de alguém pra adotar seu filho, mas as pessoas quando via que ela era uma mulher negra desistiam de adotar, minha mãe se sensibilizou e falou que queria aquele bebê. Nasceu um lindo menino, e colocou seu nome de João Paulo Batista.

Voltamos novamente para Londrina PR.

Minha mãe trabalhava em casa, era zeladora da Igreja que congregava, e ainda cuidava de crianças que as mães não tinha condições de pagar uma creche, cuidava de graça e muitas das vezes comprava leite para as crianças de seu próprio bolso.

Wilma teve 5 filhos: Vilmar, Vânia, Salatiel, Sandra e João. Ela amava os filhos e os defendia como uma leoa, apesar de ser uma carneirinha.

Assim que defino ela, não tinha boca para falar nada de ruim para ninguém, se alguém a maltratasse, ela dizia vamos orar.

Uma mulher apesar de pouco estudo, inteligentíssima, com apenas a 4° série, quando precisássemos de ajuda no dever escolar, sempre ajudava, fazia conta de cabeça, sempre tinha uma resposta sensata para nós dar.

Um dia nosso mundo desmoronou, descobrirmos que ela tinha câncer avançado de mama. Ela fez cirurgia, quimioterapia seu cabelo caiu, sentia muita dor, mas nunca a vi chorando, reclamando ou maldizendo Deus, ela estava sempre forte nos apoiando, e dizendo, não fiquem preocupado minha vida, ela está nas mãos de Deus.

Sofreu um ano em cima da cama, na época eu fazia curso técnico em enfermagem, apliquei o que aprendia nos cuidados para com ela, mas não foi o suficiente para salvá-la, ela partiu para o céu em novembro de 2003, sinto sua falta até hoje. Mas creio no propósito de Deus.

Guardo na lembrança, seu sorriso, seu olhar, seu cheiro, seu amor pelos outros, sua voz, quando estava triste cantava, quando estava feliz cantava rsrs, ela era assim, há... e sempre dizia graças a Deus por tudo.

Só tenho a agradecer a Deus por ter me presenteado com uma mãe tão amorosa, que daria sua vida pelos filhos.

#Gratidão

Escrito por: Vânia Débora de Oliveira













Guerreira:
Lutou contra o câncer
1956-2003


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Comentários

  1. Ela foi uma grande guerreira,e com certeza está em bom lugar,deixou muitas lembranças,não a conheço ,mais o que soube dela da sua história já me encantou ,merece ser lembrança com muito carinho 😍

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