Para muitas pessoas, uma conversa termina quando elas vão embora. Elas se despedem, seguem o caminho de casa e, pouco tempo depois, já estão pensando em outras coisas. Comigo, às vezes, acontece diferente. A conversa termina do lado de fora. Mas continua acontecendo dentro da minha cabeça. Recentemente, levei meu saxofone ao técnico para corrigir alguns problemas de regulagem. Havia um desalinhamento na mesa das chaves e algumas folgas na mecânica, que provocavam pequenos vazamentos de ar e comprometiam a resposta do instrumento. Enquanto ele examinava cuidadosamente o saxofone e fazia os ajustes necessários, começamos a conversar. Falamos sobre música, instrumentos, experiências e diversos outros assuntos que surgiram naturalmente. Foi uma conversa agradável. Nada de extraordinário aconteceu. Não houve discussão, constrangimento ou qualquer situação desagradável. Voltei para casa satisfeito por saber que o instrumento voltaria a responder como deveria. Mas, curiosamente, o que continu...
Uma perspectiva pessoal e autobiográfica sobre viver o autismo adulto.