Conheça o que era a Síndrome de Asperger, por que hoje ela faz parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e como o diagnóstico tardio transformou a maneira como compreendi minha própria história.
Seja bem-vindo ao Meu Lado Asperger
Se esta é a sua primeira visita, talvez uma pergunta tenha surgido imediatamente:
"Se a Síndrome de Asperger não é mais um diagnóstico oficial, por que ela está no nome deste blog?"
A resposta está na minha própria história.
Durante muitos anos, pessoas com determinadas características do autismo receberam o diagnóstico de Síndrome de Asperger. Com a atualização da classificação médica, esse diagnóstico passou a fazer parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Eu recebi meu diagnóstico tardio dentro desse contexto.
Embora a medicina utilize hoje o termo Transtorno do Espectro Autista, muitas pessoas continuam usando a palavra Asperger para descrever sua trajetória, sua identidade ou o diagnóstico que receberam no passado.
Por esse motivo, decidi manter esse nome.
Ele representa uma etapa importante da minha história e também ajuda muitas pessoas que ainda procuram informações utilizando essa expressão.
Ao longo deste blog, utilizarei sempre a classificação atual, tratando a antiga Síndrome de Asperger como parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O que era a Síndrome de Asperger?
Durante muitos anos, a Síndrome de Asperger foi utilizada como um diagnóstico para pessoas que apresentavam características do autismo, mas que geralmente não possuíam deficiência intelectual nem atraso significativo no desenvolvimento da linguagem.
Essas pessoas costumavam desenvolver boa comunicação verbal, frequentar a escola regular, concluir cursos superiores, trabalhar e construir suas vidas normalmente. Ainda assim, muitas enfrentavam dificuldades invisíveis relacionadas à interação social, à sensibilidade sensorial e à compreensão das regras implícitas da convivência.
Em 2013, com a publicação da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a classificação mudou.
A Síndrome de Asperger deixou de existir como um diagnóstico separado e passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Isso não significa que as pessoas mudaram.
O que mudou foi a forma como a medicina passou a compreender o autismo.
Hoje entende-se que existe um espectro muito amplo, no qual cada pessoa apresenta características, necessidades e habilidades próprias.
Afinal, a Síndrome de Asperger ainda existe?
Depende do contexto.
Do ponto de vista médico, a classificação atual utiliza o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Entretanto, muitas pessoas continuam utilizando a palavra Asperger porque:
receberam esse diagnóstico antes da mudança da classificação;
identificam-se com essa forma de descrever sua história;
encontram livros, comunidades e conteúdos utilizando esse nome.
Por isso, neste blog você encontrará os dois termos.
Sempre que utilizar a palavra Asperger, estarei me referindo às características atualmente compreendidas dentro do Transtorno do Espectro Autista.
Quais são as características mais comuns?
Cada pessoa autista é única.
Não existe um conjunto de características presente em todas as pessoas.
Mesmo assim, algumas características são frequentemente observadas em adultos anteriormente classificados como Asperger:
dificuldade em compreender regras sociais implícitas;
interpretação mais literal da linguagem;
comunicação direta e objetiva;
preferência por rotinas e previsibilidade;
interesses intensos por determinados assuntos;
grande capacidade de concentração em temas de interesse;
atenção aos detalhes;
sensibilidade a sons, luzes, cheiros, temperaturas ou texturas;
desconforto em ambientes muito movimentados;
necessidade de momentos de descanso após intensa interação social.
Essas características não representam defeitos.
São diferentes formas de perceber, organizar e experimentar o mundo.
Meu diagnóstico tardio
Durante muitos anos da minha vida, eu apenas acreditava que era diferente.
Sempre fui reservado.
Preferia ambientes tranquilos.
Gostava de rotinas.
Tinha dificuldade para compreender algumas situações sociais que pareciam naturais para outras pessoas.
Durante muito tempo pensei que tudo isso fosse apenas timidez, ansiedade ou simplesmente um jeito diferente de ser.
Foi somente na vida adulta que recebi meu diagnóstico tardio dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), com características anteriormente conhecidas como Síndrome de Asperger.
Esse diagnóstico não mudou quem eu era.
Ele apenas deu sentido à minha história.
Muitas lembranças da infância, da adolescência, da universidade, da vida profissional e dos relacionamentos passaram a fazer sentido.
Percebi que aquilo que durante anos enxerguei como falhas pessoais fazia parte de uma maneira diferente de perceber o mundo.
Receber esse diagnóstico não apagou minhas dificuldades.
Trouxe compreensão.
Trouxe acolhimento.
E, acima de tudo, trouxe paz.
Por que criei este blog?
Depois do diagnóstico, percebi que muitas pessoas vivem uma situação semelhante.
Adultos que passaram anos tentando entender por que se sentiam diferentes.
Pessoas que recebem um diagnóstico apenas na vida adulta.
Familiares que desejam compreender melhor seus filhos, irmãos ou cônjuges.
Professores, profissionais da saúde e outros interessados que procuram informações confiáveis sobre o autismo adulto.
Foi pensando nessas pessoas que nasceu o Meu Lado Asperger.
Este blog não pretende substituir orientações médicas, psicológicas ou multiprofissionais.
Meu objetivo é compartilhar conhecimento, reflexões e experiências reais de quem vive o autismo todos os dias.
Aqui você encontrará conteúdos sobre:
autismo adulto;
diagnóstico tardio;
neurodiversidade;
inclusão social;
trabalho;
educação;
família;
saúde e qualidade de vida;
experiências pessoais;
reflexões sobre viver no Transtorno do Espectro Autista.
Sempre que possível, procuro unir informações baseadas em evidências científicas com a experiência prática de quem vive essa realidade.
Perguntas frequentes
A Síndrome de Asperger ainda é um diagnóstico?
Não. Atualmente, a classificação médica utiliza o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, muitas pessoas continuam utilizando "Asperger" para se referir ao diagnóstico que receberam anteriormente ou para descrever sua trajetória.
Toda pessoa com Asperger é autista?
Segundo a classificação atual, sim. As características anteriormente atribuídas à Síndrome de Asperger fazem parte do Transtorno do Espectro Autista.
O diagnóstico tardio é comum?
Sim. Muitas pessoas descobrem que são autistas apenas na adolescência, na vida adulta ou até mesmo na terceira idade, especialmente aquelas que desenvolveram estratégias para lidar com as demandas sociais ao longo da vida.
O autismo impede uma vida independente?
Não. O autismo é um espectro. Muitas pessoas autistas estudam, trabalham, constituem família e desenvolvem carreiras. Cada pessoa possui capacidades, desafios e necessidades de apoio diferentes.
Um convite
Se este artigo ajudou você a compreender melhor o autismo ou trouxe respostas para perguntas que o acompanharam durante anos, fico feliz por sua visita.
Espero que este blog seja um espaço de informação, acolhimento e reflexão.
Mais do que apresentar conceitos, desejo compartilhar uma caminhada marcada por descobertas, desafios, aprendizados e esperança.
Se você também é uma pessoa autista, recebeu um diagnóstico tardio, é familiar, amigo, educador ou profissional, convido você a continuar acompanhando os próximos artigos.
Acredito que conhecer o autismo é também aprender que existem muitas maneiras diferentes de ser humano.
Seja muito bem-vindo ao Meu Lado Asperger.
Vilmar Francisco de Oliveira
Autor do blog Meu Lado Asperger

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