Durante muitos anos, eu acreditava que era apenas uma pessoa extremamente tímida.
Desde criança, meu comportamento era bastante reservado. Eu preferia brincar sozinho, não gostava muito de interações sociais e costumava me sentir desconfortável em situações que exigiam muita convivência com outras pessoas. Para quem me observava, eu era apenas uma criança tímida e quieta.
Além disso, sofri com crises de asma e bronquite durante boa parte da infância, o que também limitava algumas atividades e contribuía para que eu passasse mais tempo em ambientes tranquilos.
Outra característica marcante era minha dificuldade em lidar com pressão. Quando me sentia pressionado ou ansioso, ficava desconcentrado e acabava me tornando ainda mais desastrado.
Essa combinação resultou em situações curiosas e, algumas vezes, perigosas.
Certa vez, quebrei o braço e ninguém percebeu imediatamente. Nem eu mesmo consegui compreender a gravidade do que havia acontecido. Somente cerca de uma semana depois, quando tentaram tocar em meu braço e demonstrei desconforto, meus pais perceberam que algo estava errado.
Quando fui levado ao ortopedista, o médico constatou que o osso já estava começando a cicatrizar de forma inadequada e precisou realizar um novo procedimento para corrigir o problema.
Anos mais tarde, vivi outra situação delicada. Enquanto brincava na rua, sofri um corte profundo na perna. Entrei em casa e fui dormir sem perceber a gravidade do ferimento. Somente quando meus familiares notaram que algo estava errado fui levado ao hospital para receber atendimento e levar pontos.
Houve outros acidentes ao longo da infância e da adolescência que reforçavam uma característica que eu só compreenderia muitos anos depois: nem sempre eu percebia os sinais do meu próprio corpo da mesma forma que as outras pessoas pareciam perceber.
Na vida adulta, os desafios mudaram de forma.
O que antes aparecia em situações físicas começou a se manifestar emocionalmente.
Passei a conviver com níveis elevados de estresse e ansiedade. Em diferentes momentos da vida, esses sentimentos se refletiram em problemas como dermatite, enxaquecas, isolamento social e algumas fobias.
No ambiente de trabalho, vivi uma das fases mais difíceis nesse aspecto. As cobranças, as demandas diárias e o esforço constante para lidar com situações sociais acabaram desencadeando uma crise de ansiedade que me levou a procurar ajuda médica.
Foi nesse momento que comecei a descobrir algo que mudaria minha forma de compreender toda a minha história.
Durante a busca por respostas, encontrei um universo que, até então, eu acreditava ser apenas uma característica pessoal: o espectro autista.
De repente, muitas peças começaram a se encaixar.
Minha necessidade de isolamento em alguns momentos, minha forma diferente de interpretar situações sociais, minha tendência à reflexão constante, minhas dificuldades com determinados estímulos e até mesmo algumas experiências da infância passaram a fazer mais sentido.
O diagnóstico não mudou quem eu sou.
Continuo sendo a mesma pessoa.
A diferença é que hoje consigo compreender melhor minha própria trajetória e enxergar com mais clareza os desafios que enfrentei ao longo da vida.
Durante muito tempo pensei que estava apenas tentando me adaptar ao mundo.
Hoje percebo que também estava tentando compreender a mim mesmo.
E essa talvez tenha sido uma das jornadas mais importantes da minha vida.
Desde criança, meu comportamento era bastante reservado. Eu preferia brincar sozinho, não gostava muito de interações sociais e costumava me sentir desconfortável em situações que exigiam muita convivência com outras pessoas. Para quem me observava, eu era apenas uma criança tímida e quieta.
Além disso, sofri com crises de asma e bronquite durante boa parte da infância, o que também limitava algumas atividades e contribuía para que eu passasse mais tempo em ambientes tranquilos.
Outra característica marcante era minha dificuldade em lidar com pressão. Quando me sentia pressionado ou ansioso, ficava desconcentrado e acabava me tornando ainda mais desastrado.
Essa combinação resultou em situações curiosas e, algumas vezes, perigosas.
Certa vez, quebrei o braço e ninguém percebeu imediatamente. Nem eu mesmo consegui compreender a gravidade do que havia acontecido. Somente cerca de uma semana depois, quando tentaram tocar em meu braço e demonstrei desconforto, meus pais perceberam que algo estava errado.
Quando fui levado ao ortopedista, o médico constatou que o osso já estava começando a cicatrizar de forma inadequada e precisou realizar um novo procedimento para corrigir o problema.
Anos mais tarde, vivi outra situação delicada. Enquanto brincava na rua, sofri um corte profundo na perna. Entrei em casa e fui dormir sem perceber a gravidade do ferimento. Somente quando meus familiares notaram que algo estava errado fui levado ao hospital para receber atendimento e levar pontos.
Houve outros acidentes ao longo da infância e da adolescência que reforçavam uma característica que eu só compreenderia muitos anos depois: nem sempre eu percebia os sinais do meu próprio corpo da mesma forma que as outras pessoas pareciam perceber.
Na vida adulta, os desafios mudaram de forma.
O que antes aparecia em situações físicas começou a se manifestar emocionalmente.
Passei a conviver com níveis elevados de estresse e ansiedade. Em diferentes momentos da vida, esses sentimentos se refletiram em problemas como dermatite, enxaquecas, isolamento social e algumas fobias.
No ambiente de trabalho, vivi uma das fases mais difíceis nesse aspecto. As cobranças, as demandas diárias e o esforço constante para lidar com situações sociais acabaram desencadeando uma crise de ansiedade que me levou a procurar ajuda médica.
Foi nesse momento que comecei a descobrir algo que mudaria minha forma de compreender toda a minha história.
Durante a busca por respostas, encontrei um universo que, até então, eu acreditava ser apenas uma característica pessoal: o espectro autista.
De repente, muitas peças começaram a se encaixar.
Minha necessidade de isolamento em alguns momentos, minha forma diferente de interpretar situações sociais, minha tendência à reflexão constante, minhas dificuldades com determinados estímulos e até mesmo algumas experiências da infância passaram a fazer mais sentido.
O diagnóstico não mudou quem eu sou.
Continuo sendo a mesma pessoa.
A diferença é que hoje consigo compreender melhor minha própria trajetória e enxergar com mais clareza os desafios que enfrentei ao longo da vida.
Durante muito tempo pensei que estava apenas tentando me adaptar ao mundo.
Hoje percebo que também estava tentando compreender a mim mesmo.
E essa talvez tenha sido uma das jornadas mais importantes da minha vida.
Comportamento Social
Na figura abaixo mostra as habilidades intelectuais e sociais de um autista, enquanto em um neurotípico as habilidades sociais estão sinalizadas na região esquerda da figura, a de um neurodiverso (autista) estão do lado direito:


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