Parecer normal é muito cansativo.
As pessoas esperam que eu corresponda às suas expectativas. Fazem perguntas, apresentam demandas e, muitas vezes, falam de assuntos sobre os quais eu não faço a menor ideia. Em diversos momentos, minha primeira reação é pensar: "Eu não sei responder isso."
Explicar que não entendi ou que não conheço determinado assunto também exige energia. Por isso, muitas vezes sigo outro caminho. Eu pesquiso.
Procuro informações, leio documentos, busco exemplos, comparo dados e tento compreender aquilo que inicialmente parecia impossível para mim. Esse processo exige um esforço mental enorme. Enquanto algumas pessoas parecem responder automaticamente, eu preciso construir a resposta passo a passo dentro da minha mente.
O mais curioso é que, muitas vezes, consigo.
Depois de estudar e pesquisar, descubro que era capaz de entender aquele assunto e atender aquela demanda. Surge então uma sensação de satisfação. Não porque eu sabia a resposta desde o início, mas porque consegui encontrá-la.
Isso acontece frequentemente no meu trabalho no serviço público. Colegas e requerentes me apresentam situações que, à primeira vista, parecem além da minha capacidade. Porém, ao investigar o problema e organizar as informações, encontro caminhos que nem eu imaginava que conseguiria encontrar.
Talvez muitas pessoas enxerguem apenas o resultado final. Elas veem a resposta pronta, o atendimento realizado ou a tarefa concluída. O que não veem é o caminho percorrido para chegar até ali. Não veem o desgaste mental, a ansiedade inicial e o esforço silencioso para compreender algo novo.
Às vezes me pergunto se outros autistas também vivem isso. Se também sentem que precisam transformar dúvida em conhecimento antes de conseguir agir. Se também descobrem forças que pareciam não existir quando são colocados diante de desafios inesperados.
Eu não tenho todas as respostas para essas perguntas. Mas sei que, no meu caso, viver como autista significa frequentemente caminhar por territórios desconhecidos e aprender durante a própria caminhada.
E talvez seja justamente isso que me faz continuar seguindo em frente.

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