Desde criança, carrego comigo uma característica que muitos não compreendem: o silêncio. Não o silêncio da paz, mas o da introspecção, do isolamento, do ruído interno que grita enquanto o mundo lá fora fala alto demais. Na escola, nas reuniões de família, nos aniversários — eu sempre preferi observar a participar. A confusão dos sons, os olhares cruzados, a exigência de falar para ser aceito... tudo isso me sufocava. Eu era o menino quieto, que fugia das interações sociais. Só que havia algo que me conectava com o mundo, sem me obrigar a enfrentá-lo de frente: o desenho e a música. Foi na música que encontrou sua voz. Primeiro no violão... depois com o saxofone. O Som Que Me Libertou Foi no saxofone e no violão que encontrei uma linguagem própria. As notas diziam o que eu não conseguia expressar. A música não cobrava contato visual, não exigia respostas rápidas, não julgava meu jeito de ser. Ela me salvou. Me ajudou a conquistar o pouco de convivência que tenho hoje com as pessoa...